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28 de julho de 2017

Cirurgias da face x exercícios físicos

Qual é a hora exata de voltar a treinar?

Cirurgias da face x exercícios físicos

É comum observarmos pacientes que não querem abrir mão da malhação mesmo no período pós-operatório, o que pode acarretar riscos para o bom resultado da cirurgia.

Podemos iniciar esse artigo, mencionando a íntima relação da atividade física no dia a dia dos seres humanos, pois sabemos que a atividade física sempre esteve presente na rotina da humanidade, seja nas modalidades esportivas profissionais, bem como nos treinos militares ou simplesmente na busca pelo bem-estar e qualidade de vida, contribuindo de forma importante para a manutenção da saúde e longevidade e tornando possível quando associada a demais hábitos de vida saudáveis, o fenômeno anti-envelhecimento.

Esse estilo de vida saudável que a sociedade de um modo geral vem migrando, repercutiu positivamente para o aumento da expectativa de vida e observamos cada vez mais seres humanos envelhecendo saudavelmente, com consequente aumento da autoestima e da vaidade e levando-os a procura de cirurgias estéticas, tanto as plásticas corporais, como as estéticas e funcionais da face.

Sabemos das particularidades metabólicas positivas que o treinamento físico regular dispõe sobre a fisiologia humana, regulando uma série de reações bioquímicas do corpo, incluindo o metabolismo imuno endocrinológico, contribuindo para uma resposta imunológica mais rápida e saudável, acelerando os processos de recuperação celular e cicatrização tecidual, processos estes que serão normalmente lesionados após um procedimento cirúrgico.

Assim sendo, destacamos a importância da prática esportiva em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos, incluindo cirurgias da face, estética e reconstrutiva. No entanto, para a total recuperação da cirurgia e suas eventuais cicatrizes, é necessário respeitar as orientações médicas, que variam de acordo com cada caso cirúrgico, sendo na maioria das vezes, recomendado o afastamento do paciente das atividades físicas, por um período pré-estabelecido pelo cirurgião, variando de acordo com o porte da cirurgia realizada. É comum observarmos pacientes que não querem abrir mão da malhação mesmo no período pós-operatório, o que pode acarretar riscos para o bom resultado da cirurgia.

 

CIRURGIAS FACIAIS ESTÉTICAS

Com o passar da idade, sabemos da ocorrência de diversas reações bioquímicas no organismo, que culminam em alterações nos aspectos normais da pele e musculatura da face, resultando no aparecimento de linhas de expressão, rugas, flacidez, dentre outros aspectos, nos quais os cirurgiões de face, podem intervir corrigindo-os.

No entanto, existem também condições associadas a estrutura óssea da face, que acarretam defeitos estéticos, localizados nos terços inferiores e médios da face. Os principais tipos de cirurgias estéticas envolvendo a face são:

 

- Ritidoplastia ou lifting facial: procedimento cirúrgico que trata os três terços da face como um todo, corrigindo flacidez, queda das pálpebras superiores (ptoses), vincos nas pálpebras inferiores, vincos nasogenianos (ao longo do nariz que se estendem até o canto da boca), papada ou excesso de pele e gordura sob o queixo. Geralmente a técnica é indicada para pacientes acima dos 40 anos, cujo o objetivo é atenuar os efeitos do tempo, da gravidade, da exposição solar e do estresse do cotidiano, que resulta no aparecimento de sinais de envelhecimento.

 

- Blefaroplastia: procedimento cirúrgico exclusivo da região palpebral, que visa harmonizar a região das pálpebras superiores e inferiores, eliminando bolsas de gordura, rugas, flacidez, ptoses e consequentemente, rejuvenesce a região ao redor dos olhos.

 

- Rinoplastia: cirurgia realizada na estrutura nasal para melhorar a estética ou a respiração dos pacientes, realizada também para a correção de deformidades traumáticas ou naturais e ainda para corrigir disfunções.

 

- Cirurgia Ortognática: procedimento cirúrgico estético-funcional que reposiciona os terços médios e inferior da face, corrigindo os ossos maxilares (maxila e mandíbula) e consequentemente o nariz, proporcionando uma melhor relação de harmonia e estética do rosto, restabelecendo um adequado padrão de oclusão dentária (mordida).

 

- Mentoplastia: procedimento cirúrgico estético na região da face, para remodelar o queixo por intermédio de fraturas que podem avançar ou recuar o mento (queixo) ou ainda utilizando implantes de materiais específicos para promover o seu aumento.

 

- Cirurgia de implantes faciais: procedimento cirúrgico com a instalação de implantes de próteses faciais, visando reestabelecer a estética local e suavizar as linhas do rosto. Atualmente, diversos implantes faciais foram idealizados, restaurando os contornos lisos e arredondados da face e criando uma aparência proporcional e equilibrada.

 

- Bichectomia: procedimento cirúrgico estético na região da face, mais especificamente na mucosa jugal ou bochecha, que visa o afinamento do rosto, mediante a retirada da bola gordurosa de Bichat, uma estrutura gordurosa localizada na região das bochechas.

 

- Otoplastia: procedimento cirúrgico estético realizado na região das orelhas externas, afim de corrigir deformações que as deixam com uma aparência indesejável para o paciente, podendo trazer prejuízos de ordem emocional.

 

CIRURGIAS FACIAIS RECONSTRUTIVAS OU REPARADORAS

As cirurgias reconstrutivas e reparadoras da face são procedimentos cirúrgicos que visam devolver a função e posteriormente a estética local, perdidas devido a diversos fatores, tais como ferimentos e traumatismos na região facial (acidentes, agressões, ferimentos por arma de fogo/FAF, doenças na face, tumores, defeitos congênitos, entre outros), onde podemos destacar as seguintes cirurgias:

 

- Cirurgia de fraturas da face: procedimento cirúrgico reparador  reposiciona os ossos da face fraturados devido a algum trauma local, envolvendo os diversos ossos localizados na face, como mandibular, maxilar, nasal, zigomático, orbital, frontal, dentre outros.

 

- Cirurgia ortognática: embora já citada anteriormente como cirurgia estética da face, a cirurgia ortognática também possui uma grande característica funcional reparadora, ao devolver o posicionamento fisiológico (natural) dos ossos maxilares (maxila e mandíbula) e consequentemente a função mastigatória ideal.

 

- Cirurgia para correção de fissuras lábio palatinas: procedimento cirúrgico reparador de fechamento das fissuras (aberturas) localizadas na região palatina (céu da boca) e lábio, podendo cometer também o nariz.  As fissuras de lábio e palato, conhecidas também como lábio leporino e fenda palatina (céu da boca aberto), correspondem à má formação congênita mais comum da face, podendo estar relacionada a fatores genéticos.

 

- Septoplastia: procedimento cirúrgico reparador na região do nariz, que corrige eventuais desvios do septo nasal, devolvendo uma melhor função respiratória aos pacientes.

 

- Sinusectomias: procedimento cirúrgico reparador que visa o tratamento das sinusites, com a drenagem do conteúdo inflamatório presente no interior do seio maxilar facial, devolvendo a integridade local.

 

- Cirurgia de ATM: visa o tratamento das disfunções ligadas a articulação temporo mandibular, presente na face próximo ao ouvido. Através de procedimentos cirúrgicos específicos, tem como finalidade o reposicionamento do disco articular, que na maioria das vezes, encontra-se deslocado, causando dores de cabeça, estalos mastigatórios e desconfortos.

 

TEMPO DE RECUPERAÇÃO CIRÚRGICO E RETORNO AOS EXERCICIOS FÍSICOS

As cirurgias faciais costumam ser executadas por cirurgiões plásticos, cirurgiões buco maxilo faciais e otorrinolaringologistas. Esses especialistas promovem mudanças no padrão facial, que acarretam mudanças físicas e emocionais no paciente, pois logo após a cirurgia eles passam por um processo de recuperação, onde devem permanecer inicialmente em repouso total e aos poucos podem voltar às atividades diárias.    

É importante lembrar que qualquer cirurgia é uma agressão ao organismo, independente do local que é realizada e cada paciente reage de uma forma individualizada. Quanto ao retorno a prática de exercícios físicos, sugerimos que o paciente retorne gradativamente aos treinos, somente após ter completado a fase inicial pós-operatória, podendo variar de acordo com o porte do procedimento realizado, sendo aproximadamente de 20 a 40 dias após o ato cirúrgico. Ainda assim, sabemos que cada organismo responde de forma individualizada no período de recuperação e cada caso deve ser acompanhado de perto pelo cirurgião facial responsável, para que ele possa avaliar as características apresentadas pelo paciente e determinar qual será o tempo ideal para retornar as atividades físicas.

Fonte: REVISTA SUPLEMENTAÇÃO - ANO 9 - EDIÇÃO Nº45

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