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20 de abril de 2017

Doenças respiratórias são mais comuns no outono e inverno: saiba como preveni-las

Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade orienta a população como se proteger dos fatores que desencadeiam problemas respiratórios no outono e inverno, como a gripe, que causa 40 mil internações por ano no Brasil

Doenças respiratórias são mais comuns no outono e inverno: saiba como preveni-las

As infecções virais mais frequentes são a gripe e o resfriado, sendo causados principalmente pelos vírus influenza e rinovírus, respectivamente.

Com a chegada do outono, e consequentemente, das baixas temperaturas, o tempo seco e a menor dispersão dos poluentes pioram a qualidade do ar, o que por si só, já seriam fatores que irritam as mucosas respiratórias. Os grandes vilões para a saúde respiratória nas estações de baixa temperatura como o outono e o inverno são os vírus, as bactérias e as manifestações alérgicas. As informações são do Grupo de Trabalho de Doenças Respiratórias da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC).
 
“As infecções virais mais frequentes são a gripe e o resfriado, sendo causados principalmente pelos vírus influenza e rinovírus, respectivamente. No Brasil, estima-se que mais de 40.000 pessoas sejam internadas por ano por complicações da gripe e destas 4.000 resultam em óbitos”, explica Jonatas Leônio, médico de família e comunidade, membro do GT.
 
As infecções bacterianas mais frequentes são as amigdalites, faringites, sinusites, otites e pneumonia, sendo causadas principalmente pelas bactérias pneumococo, estreptococo, estafilococo, mycoplasma, clamídia, legionela, com maior ou menor incidência de uma ou outra, dependendo da faixa etária e fatores de risco, além de crises de exacerbações em pacientes portadores de DPOC (Enfisema e Bronquite Crônica). Já as manifestações alérgicas mais comuns são a rinite, a asma e a bronquite, não sendo estas desencadeadas por vírus ou bactérias, mas sim por ativação de reações de hipersensibilidade a alérgenos, sendo os mais frequentes destes, no inverno, as mudanças de temperatura, a baixa umidade de ar, mofo, ácaros, poeira, etc.
 
Apesar de não ser possível prevenir algumas formas de infecção, iniciativas simples podem reduzir a possibilidade de contágio, tais como:  boa higiene ambiental; evitar  ambientes fechados ou sem boa ventilação ; lavar as mãos frequentemente; evitar ambientes poluídos; manter uma boa higiene corporal; evitar mudanças bruscas de temperatura e ambientes com ar condicionado; evitar  bebidas muito geladas; manter uma  dieta saudável e equilibrada; usar roupas adequadas à estação; manter controle rigoroso das doenças crônicas;  manter padrões de limpeza adequados, combate à umidade, lavar agasalhos e cobertores antes de usar, evitar  deixar animais dentro de casa, retirar dos cômodos livros ou almofadas que acumulem poeira, evitar cigarro no ambiente doméstico.
 
Para Sonia Maria Martins, médica de família e coordenadora do GT de Doenças Respiratórias da SBMFC, um grande problema do inverno são os ambientes fechados, sem ventilação adequada e com grandes aglomerados de pessoas, o que torna combinação ideal para disseminação de patógenos causadores das infecções. “Uma situação recente, que tem causado preocupação, são os novos ônibus públicos, sem janelas para ventilação e com ar condicionado. Para prevenir agravos nestes casos é importante orientar que pessoas que tenham tosse e espirros devem cobrir a boca e nariz ao tossir e espirrar, além da importância da lavagem frequente das mãos e higienização adequada das mesmas”, informa.
 
A vacinação contra Influenza (gripe) está indicada para crianças pequenas e portadores de doenças crônicas e a vacina anti-pneumococo para idosos a cada cinco anos.  
Os indivíduos com morbidade pré-existente (doenças crônicas cardiorrespiratórias e metabólicas) e idosos maiores de 65 anos, devem ser orientados a evitar fazer exercício físico de moderado a intenso em dias de baixa umidade relativa do ar. Manter hidratação adequada, exceto se restringida por orientação médica, especialmente em crianças, idosos e em indivíduos que permanecem em locais com ar condicionado.
 
Cuidados específicos para diagnóstico e tratamento por faixa etária
Crianças pequenas, menores de cinco anos de idade, ainda não tem o sistema imunológico bem formado, sendo mais propensas às infecções respiratórias e aos alérgenos e irritantes domiciliares. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pneumonia bacteriana é a maior causa de mortes em crianças com menos de cinco anos de idade, no mundo.
 
As más condições de alimentação e higiene, associadas à poluição no ar em casa, especialmente pelo hábito de fumar dos pais, são fatores predisponentes e desencadeantes. Já os idosos, frequentemente possuem outras comorbidades, tais como, doenças cardiorespiratórias, metabólicas e neoplasias que contribuem para diminuição da imunidade e o aumento das infecções respiratórias. Estas acabam desencadeando exacerbações das doenças de base, o que leva a piora da qualidade de vida, aumento da morbidade e da mortalidade.
 
Grupos de risco
Durante o inverno, é comum o aumento no número de casos de problemas respiratórios. A OMS estima que, por ano, a gripe cause comprometimento grave em 3,5 milhões de pessoas. Crianças, idosos, portadores de doença pulmonar, cardiopatas e imunocomprometidos são os mais afetados.
 
O papel do médico de família na prevenção dessas doenças
A Atenção Primária é o primeiro contato dos usuários com o sistema de saúde, portanto, deve estar apta a manejar os problemas de maior frequência e relevância na comunidade. No que se refere às doenças respiratórias de inverno o médico de família e a equipe de saúde devem estar atentos a essas demandas, acolhendo os usuários, identificando e tratando as crises e exacerbações, evitando consultas, complicações e internações desnecessárias. Além de estimular e promover a orientação dos pacientes quanto a importância da vacinação e das medidas comportamentais e ambientais necessárias;
 
Quem é o médico de família e comunidade (MFC)?
 
A medicina de família e comunidade é uma especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia. O MFC é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções excessivas ou desnecessárias. 
 
É um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade. Atualmente há no Brasil mais de 3.200 médicos com título de especialista em medicina de família e comunidade.
 

Fonte: Grupo de Trabalho de Doenças Respiratórias da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC).

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