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12 de dezembro de 2016

Nutrição e Esporte: Badminton

Disputado pela primeira vez em Jogos Olímpicos, este esporte jogado com raquetes e petecas é apresentado pelo topo no ranking brasileiro, a campeã Lohaynny Vicente

Nutrição e Esporte: Badminton

A primeira competição aconteceu aos nove anos, quando Lohaynny competiu o Panamericano Junior. Da primeira vez ela perdeu, ficando em segundo lugar, em 2007.

Gosta de jogar peteca? E se ela for jogada com uma raquete? E se essa partida for dividida por uma rede? Já visualizou esta cena? Pode até parecer brincadeira de criança, mas não é. Trata-se do Badminton, o esporte que acaba de ser incluído em uma Olimpíada. A regra é simples: ele pode ser disputado por duplas ou por um jogador de cada lado da quadra.

Esse esporte lembra o Tênis e pode ser praticado ao ar livre, mas o ideal é que seja jogado em quadra coberta, onde não ocorram correntes de ar. O piso da quadra deve ser feito de material antiderrapante e suas marcações devem ser feitas de cores facilmente identificáveis (branco ou amarelo).

Os jogos são disputados num total de três games. Sempre que o 1º jogador/dupla atingir 11 pontos um tempo de 60 segundos é concedido. Esta regra vale para qualquer game. Nos intervalos do 1º para o 2º game e do 2º para o 3º game (se houver) um intervalo de dois minutos é concedido. O vencedor é o que ganhar dois games primeiro. Em todas as modalidades, os games são de 21 pontos. O Badminton é o segundo esporte mais rápido do mundo!

Quem apresenta este esporte é a atleta número 1 do ranking brasileiro do Badminton, a campeã Lohaynny Vicente. Ela foi a primeira atleta brasileira de Badminton a conquistar uma vaga olímpica e o melhor: dentro de casa. Junto dela, o destaque vai para o atleta Ygor Coelho. O Brasil já teria uma vaga de simples no feminino e uma no masculino por ser sede dos Jogos Olímpicos, mas a principal meta da Confederação Brasileira de Badminton era classificar os atletas pelo ranking da Federação Mundial de Badminton.

Para tanto, seria necessário estar entre os 38 primeiros da corrida olímpica, o ‘Race to Rio’, em que os países podem levar dois atletas no mesmo gênero apenas se eles estiverem entre os 16 melhores. Em abril deste ano, data do anúncio dos representantes brasileiros, Ygor era o 62º no ranking mundial e é o 29º na lista para o Rio e Lohaynny, 67º no ranking mundial e 35ª da corrida Olímpica.

"É uma satisfação participarmos pela primeira vez dos Jogos Olímpicos classificados pelo ranking, sem precisar do convite. O Brasil jogou a competição não porque é sede, mas porque tem competência e foi melhor do que outros. Jogaríamos mesmo que fossem em outro país. É uma meta que tínhamos e cumprimos", conta o superintendente de Gestão Esportiva da Confederação Brasileira de Badminton, José Roberto Santini Campos.

Para Lohaynny, o país está de parabéns pela divulgação e investimento no Badminton ao longo desses quatro anos de preparação para os Jogos Olímpicos. “Nós evoluímos e tenho certeza que fiz tudo o que era para ser feito para representar bem o Brasil. Já conquistei o que ninguém conquistou, então não preciso me pressionar. Pressão deve ter a melhor do mundo, que já passou por várias Olimpíadas. Esta foi a minha primeira e ainda, dentro de casa. Isto é um presente!”, conta a atleta.

Ygor e Lohaynny foram revelados ao esporte no Projeto Miratus, da Comunidade da Chacrinha, no Rio de Janeiro. Trata-se de uma entidade não governamental, sem fins lucrativos, que promove o desenvolvimento social por meio da educação e do esporte, com foco no Badminton. Lohaynny tinha sete anos, quando junto da irmã Luana, de nove, conheceu o projeto que deu as duas a chance de serem grandes nomes neste esporte.

“Somos muito gratas ao Miratus. Lá tivemos a chance de conhecer o esporte de nossas vidas. Ele é uma chance incrível de resgate de crianças carentes. Eu, minha irmã e muitas crianças passávamos o dia no projeto e lá tínhamos as refeições completas, o aprendizado e o apoio necessário para seguir no esporte. Nossa história teve início ali”, conta Lohaynny.

A primeira competição aconteceu aos nove anos, quando Lohaynny competiu o Panamericano Junior. Da primeira vez ela perdeu, ficando em segundo lugar, em 2007. Em seguida, foi três vezes campeã, seis vezes duplas mista, uma vez dupla feminina. Por vezes não jogou com a irmã, pela diferença de idade. Chegando agora à fase adulta, aos 20 anos, ela compete na categoria livre.

“Quando criança, tinha medo das competições, mas devo agradecer este início, pois aprendi muito do que sou hoje, conheci muitos lugares e muitos atletas renomados. Hoje me sinto mais segura e acabei me acostumando com essa rotina longe de casa”, diz a campeã, que soma inúmeros títulos, e muitos deles disputados ao lado da irmã, sua grande referência no esporte.

Nestes anos de carreira, Lohaynny esteve por diversas vezes com a irmã em quadra. As duas se separaram quando Luana teve que operar o joelho, por um problema com o ligamento. Ela ficou um ano afastada e Lohaynny seguiu sozinha. “A gente brigava muito quando era pequena, mas os anos se passaram e a gente foi se dando muito bem. Me sinto muito segura com ela em quadra”, diz.

Luana não conquistou uma vaga Olímpica, mas acompanhou a caçula na disputa pelo ouro, agora nos Jogos Rio 2016. Além dela, na arquibancada estavam ainda tio, mãe, avó e uma legião de amigos e fãs desta estrela do Badminton. Lohaynny vive há quatro anos em Campinas, no interior de São Paulo e raramente volta para o Rio de Janeiro. As Olimpíadas foram a oportunidade dela se aproximar da família e também de casa. FALAR SOBRE O RESULTADO Expectativa: passar da chave de grupo, indo para as quartas de finais e claro, trazer a vitória para o Brasil. FALAR SOBRE O RESULTADO Expectativa: passar da chave de grupo, indo para as quartas de finais e claro, trazer a vitória para o Brasil.

 

PREPARAÇÃO CAMPEÃ

Ao todo já são treze anos de contato direto com o Badminton. Aliás, Lohaynny pode dizer que sua vida é o esporte, já que se dedica com total intensidade a ele. Vivendo em Campinas, a atleta segue uma rotina anual de muito treino e muitas competições. Para participar dessas disputas, dentro e fora do Brasil ela precisa estar com o físico sempre muito bem preparado. Assim, ela garante com mais facilidade os muitos títulos que sempre traz para o país, evitando assim lesões ou o afastamento do esporte por algum motivo de saúde.

O treino de Lohaynny varia de 8h às 11h, de 9h às 12h, 15h30 às 17h30 ou 7h às 10h. Basicamente, a atleta acorda às 6h, toma seu café da manhã e segue para o Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Badminton. O trajeto é feito a pé, ao longo de dez minutos, tempo que serve como aquecimento. No CT, normalmente ela inicia o treino às 7h, com exercícios de academia, por uma hora, focando membros inferiores e ombros, duas grandes exigências de força neste esporte.

Após o treino na academia, Lohaynny segue para a quadra e lá permanece por duas horas e meia, alternando no jogo propriamente dito, dividido em três minutos de partida e um minuto de descanso. Além disso, os atletas praticam saltos, corrida e movimentação com bola de 5kg, além de raquete também com peso, ao lado da quadra.

A SuplementAção teve a chance de curtir de perto o último dia de preparação de Lohaynny, antes dos Jogos Rio 2016 e pode sentir de perto a forte vibração dos atletas presentes, sob o comando do técnico da Seleção Brasileira, Marco Vasconcelos, que aos gritos dizia: “Vamos! Sem moleza, sem desânimo, vamos pro jogo, em busca da vitória!”. Esse ritmo dura o ano todo e só diminui de intensidade próximo às  competições.

Quando participar de alguma competição, minutos antes de entrar em quadra, Lohaynny tem na música seu combustível para aliviar a tensão pré-disputa. Na playlist da atleta, não falta o pagode, o sertanejo e o funk. O ritmo que tem a cara do Rio de Janeiro muitas vezes é embalado pelas músicas de Ludmilla, a cantora favorita quando o assunto é agito e alegria. E essa mesma alegria, Lohaynny traduz no sorriso, sempre estampado.

A quem pretende iniciar no Badminton, a nossa campeã dá a dica: “Independente do que aconteça, você vai conseguir. Vim de um projeto social. Lá me deparava com a dura realidade de crianças que não tinham o que comer, então mesmo enfrentando todas essas dificuldades, lute por você mesmo, acredite no seu potencial e terá grandes conquistas”. Dado o recado? Então borá lutar pelo seu sonho!

 

FOME DE VITÓRIA

Lohaynny Vicente prepara sua própria refeição e nela, além de bons ingredientes, acrescenta ainda muito carinho. “Não posso exagerar. Preciso manter meu físico em dia, para ter um bom rendimento em quadra”, conta. Lohaynny e os outros atletas consomem banana nos intervalos dos treinos e chegam a comer até cinco por dia.

Durante o dia, Lohaynny se alimenta pelo menos seis vezes e de acordo com a fase de treinamento em que está a atleta consome suplementos alimentares, como a maltodextrina por exemplo. Com a disputa das Olimpíadas, esta suplementação foi suspensa e pós-jogos um novo cardápio será feito, com a inclusão de um novo suplemento alimentar. Após o almoço, ela descansa, por vezes dorme ou acompanha algum programa de televisão. O merecido descanso só acontece aos domingos.

 

Cardápio da atleta Olímpica

 

Café da manhã

1 ovo mexido com pão integral + café puro ou suco de fruta natural

 

Pós-treino

1 banana

 

Almoço

2 colheres de arroz + 1 filé de frango grande e grelhado + salada livre, geralmente alface, tomate e pepino

 

Pré-treino

1 banana ou maçã ou tangerina

 

Lohaynny Caroline de Oliveira Vicente

 

Data de nascimento: 02/05/1996

Local: Rio de Janeiro – RJ

Modalidade: Badminton

Categoria: Livre

Altura: 1,71m

Peso: 70kg

Equipe: Paulistano

Patrocinador: Yonex

 

Principais títulos:

2016 – COLOCAÇÃO DAS OLIMPIADAS

2016 – 2º lugar Panamericano adulto

Títulos no México, na Guatemala, Brasil Open

2015 – Panamericano, 2º lugar dupla feminina (com Luana Vicente)

2015 – 3º lugar dupla mista

 

Redes sociais:

Instagram: @lohaynnyvicente

Fonte: REVISTA SUPLEMENTAÇÃO - ANO 9 - EDIÇÃO Nº44

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