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13 de fevereiro de 2017

Suplementos: Ashwagandha

A suplementação com uma das ervas mais importantes da medicina é auxilio para homens querem mais força

Suplementos: Ashwagandha

A raiz cheira a cavalo (?Ashwa?), por isso é chamada de Ashwagandha, pois quem a consome terá o poder de um cavalo, sim, de um cavalo

 

Ashwagandha (Withania somnifera) é também conhecida como a ‘cereja do inverno indiano’ ou ‘ginseng indiano’ é uma das ervas mais
importante da medicina Ayurveda (Sistema Tradicional de Medicina Indiana) tendo como característica promover saúde física e mental
além de proporcionar sensação de felicidade. A erva pode ser ofertada desde a infância, para aquelas crianças que apresentam tônus muscular
pouco desenvolvido, até idosos que procuram mais anos de vida. Entre as diversas ervas existentes no mundo, a Ashwagandha ocupa um lugar
de destaque, sendo uma das seis ervas medicinais essenciais.

Antes de iniciarmos a falar sobre a Ashwagandha no âmbito esportivo, vamos primeiro discernir sua utilização no meio clínico. Esta erva
é um pó peneirado e fino que pode ser misturado com água, suco, proteína em pó ou qualquer tipo de bebida. A raiz
da Ashwagandha é considerada afrodisíaca, narcótica, diurética, anti-helmíntica, adstringente, termogênica e estimulante.

A raiz cheira a cavalo (“Ashwa”), por isso é chamada de Ashwagandha, pois quem a consome terá o poder de um cavalo, sim, de um cavalo!
Bem, ela melhora a função do sistema nervoso central, cérebro e memória; melhora a função do sistema reprodutor, promovendo equilíbrio
e bom funcionamento sexual; é um poderosíssimo antiestresse, aumentando a resistência do corpo; também aumenta as defesas do organismo
contra doença, ou seja, é um imunomodulador com propriedades antioxidantes potentes que ajudam a proteger contra danos celulares
causados por radicais livres.

ESTUDOS COMPROVAM

Há apenas quatro estudos sobre a suplementação de Ashwagandha dos quais, você poderia dizer que,
pelo menos, são relevantes para o tema. Embora, apenas um foi realizado em indivíduos praticantes de
musculação. O primeiro a começar investigar os efeitos de Ashwagandha
foi Sandhu e colaboradores (2010), no qual investigaram os efeitos da Ashwagandha isolado ou
combinado com Arjuna (outra erva) sobre o desempenho físico e resistência cardiorrespiratória em adultos jovens saudáveis não treinados
(18-25 anos).

Pois bem, os autores encontraram um aumento na velocidade máxima [+3%], força relativa [+9%] e no VO2max [+7%] em resposta a 500 mg/dia de Ashwagandha, durante
8 semanas. A outra erva resultou em melhoria, mas não tanto quanto o Ashwagandha, despertando assim interesse. Dois anos depois, Shenoy e colaboradores (2012),
encontraram aumento no tempo de exaustão [+11%], no VO2max [+16%], no equivalente metabólico [+16%] e na razão de troca respiratória [+2%] em
atletas de ciclismo (20 homens e 20 mulheres). Porém, vale ressaltar que os benefício seram menores nos participantes do sexo feminino, em resposta à mesma quantidade,
isto é, 1000mg/dia de Ashwagandha. No outro estudo realizado por Choudhary e colaboradores (2015), encontrou tanto aumento no VO2max como uma melhora da qualidade de vida
de 50 indivíduos atléticos (20-45 anos) em resposta ao consumo de 300mg de Ashwaghanda de alta concentração.

A procedência do Ashwaghanda pode ser muito importante em determinar os seus efeitos, assim como o Tribulus Terrestris pelo seu teor de saponinas. Dependendo da fonte
pode haver Mercúrio (Hg), um metal pesado que possa vir a atrapalhar os resultados. Em vista disso, o estudo de Wankhede e colaboradores (2015) resolveu investigar os efeitos
do Ashwaghanda na recuperação, força, no tamanho dos músculos, bem como na concentração de testosterona e percentual de gordura em 57 homens (18-50 anos) distribuídos
aleatoriamente para os grupos (A) Placebo e (B) Ashwagandha (600mg/dia). Agora, desta vez, em praticantes de musculação. Ambos os indivíduos que receberam o tratamento de Ashwagandha
600mg/dia, bem como aquelesque receberam placebo, foram submetidos ao programa de treinamentocom pesos (musculação)por oito semanas. O treinamento consistiu em exercícios
para principais grupos musculares tanto paracparte superior como inferior do corpo. Cada sessão teve início com um aquecimento de cinco minutos de exercícios aeróbios de baixa intensidade.
Os indivíduos foram instruídos a realizar os exercícios até a falha e com uma correta amplitude de movimento. Agora vamos aos resultados, que por sinal foram surpreendentes!
Foi encontrada diferençasignificativa em quase todas as variáveis medidas: O grupo que recebeu600mg/dia de Ashwagandha teve aumento do tamanho dos músculos dos braços e do peito, diminuição da porcentagem de gordura corporal, aumento de testosterona, bem como o aumento da força no supino e na extensão das pernas. Neste contexto, parece claramente
garantido que a suplementação de Ashwagandha pode ser um auxílio ergogênico útil para quem pratica musculação. No entanto, vale ressaltar que este é o
único trabalho sobre Ashwagandha aliado à musculação, com um número de indivíduos relativamente modesto (n=50) e com duração de apenas oito semanas. Mas, já é um
caminho para novas pesquisas e testes, visto que a erva pode ser facilmente manipulada através da prescrição de nutricionistas emédicos aqui no Brasil.

De acordo com os estudos apresentados no decorrer do assunto podemos então concluir, até o momento, que a suplementação de Ashwagandha na dose de 600mg/dia é
benéfica às adaptações causadas pela musculação em homens. Vale ressaltar que o melhor horário de ingestão da erva ou de qualquer outra, com finalidade de aumentar
os níveis de testosterona é pela manhã assim que acordar e em jejum, devido ao pico e assim causar um maior empilhamento. Até o momento não se sabe
ainda os mecanismos de como foi dada essa melhora. Entretanto, vamos pensar a respeito através destas especulações: (A) Houve aumento de testosterona a nível fisiológico
(mas, aumento da testosterona a nível fisiológico é muito baixo para ter significantes efeitos na composição corporal); (B) Talvez uma diminuiçãodo pico de cortisol (no estudo não
foi medido); (C) Efeitos benéficos sobre a saúde mitocondrial e reduçãoda quebra de ATP (em roedores, o exercício causa melhor utilização de ATP); (D) Efeitos ansiolíticos e geração
de foco e concentração que, podem ter sido importantes para uma melhor coordenação e recrutamentodos músculos (essa é a hipótese do autor).

E mais, quanto ao produto: (A) O produto usado (Ashwagandha) poderia estar isento de metal pesado (mercúrio) ou (B) o extrato foi padronizado com concentrações bem elevadas.
Vale destacar que o suplemento utilizado no estudo foi de alta concentração. Opa! Já temos mais uma forte especulação. Deixo aqui uma opção interessante de suplementação tanto
para treinos de resistência (aeróbio) como de musculação.

Fonte: REVISTA SUPLEMENTAÇÃO - ANO 09 - EDIÇÃO 44

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