Matérias

31 de maio de 2017

Terçol ou Calázio: afinal, qual a diferença entre essas lesões que atingem as pálpebras?

O sistema ocular é formado por diversas estruturas e cada uma delas tem o seu papel na nossa visão, veja como cuidar de cada uma delas para não se aborrecer com esse problema

Terçol ou Calázio: afinal, qual a diferença entre essas lesões que atingem as pálpebras?

Um terçol pode se desenvolver devido à obstrução de pequenas glândulas da pálpebra.

As pálpebras são muito importantes e participam de diversas funções oculares. Nelas estão localizadas as glândulas de Meibômio, responsáveis por secretar substâncias lipídicas (gordurosas) contidas no filme lacrimal (lágrima). Esta secreção nutre e protege a superfície do olho, mantendo-o constantemente úmido, especialmente a córnea. Muitas patologias podem atingir as pálpebras e suas estruturas, entre elas o calázio, popularmente chamado de terçol.
 
De acordo com Dra. Tatiana Nahas, oftalmologista, especialista em cirurgia de pálpebras e Chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o calázio é a lesão inflamatória mais frequente que afeta as pálpebras. “Trata-se de uma reação granulomatosa, ou seja, que leva à formação de massa ou de nódulo de tecido cronicamente inflamado. O calázio se desenvolve a partir da retenção de substância lipídica (gordurosa) secretada pelas glândulas de Meibômio, que leva à inflamação e à obstrução das glândulas sebáceas das pálpebras”, explica a médica.
 
Causas
“São várias as causas de um calázio, sendo as mais comuns a falta de higiene, dermatite seborreica, acne rosácea, blefarite crônica, alta concentração de gorduras no sangue, leishmaniose, tuberculose, imunodeficiência, carcinoma, estresse, tracoma, traumas e cirurgias na região das pálpebras ou ainda, como resultado de um hordéolo, externo ou interno”, comenta Dra. Tatiana.   
  
Calázio x Hordéolo
Muitas pessoas confundem o calázio com outro problema que atinge as pálpebras: o hordéolo, popularmente chamado de “terçol”. Entretanto, são condições diferentes. Dra. Tatiana explica que o calázio é formado a partir da obstrução da glândula de Meibômio, sendo considerada uma inflamação estéril, ou seja, sem sinal de infecção. “Além disso, o calázio é caracterizado por uma massa de tecido granulomatoso que apresenta inflamação crônica. Já o hordéolo, que pode ser interno ou externo, é causado primariamente por algum agente infeccioso, com necrose do tecido e formação de pus”.  
 
Em geral, o calázio tende a ser maior, menos dolorido e com uma apresentação menos aguda. Entretanto, uma condição pode levar a outra. A inflamação aguda de um hordéolo pode, eventualmente, levar à formação de um calázio e um calázio pode também se tornar infectado, segundo a oftalmologista. 
 
Sinais e sintomas
Em geral, o calázio pode provocar vermelhidão, calor no local, inchaço e sensibilidade. Com a piora da inflamação, pode se formar um nódulo.
 
Como tratar?
Ao apresentar os sintomas, o ideal é procurar um oftalmologista. A maioria dos pacientes responde bem ao tratamento e o calázio tende a desaparecer em questão de dias ou de semanas.
Entretanto, em alguns casos, quando a lesão se torna crônica e o tratamento clínico não resolve, é preciso realizar uma drenagem cirúrgica.
 
“É muito importante que o tratamento seja feito, pois o calázio pode levar ao desenvolvimento de outras condições, como desconfiguração das pálpebras, problemas de visão, hipo ou hiperpigmentação das pálpebras, irritação nos olhos, celulite pré-septal (infecção da pálpebra e na porção anterior do septo orbitário), e, por último, pode causar queda da acuidade visual devido à pressão exercida na córnea causando astigmatismo mecânico”, conclui a médica.

Fonte: Dra. Tatiana Nahas

Imprimir Enviar por email
  • Banner
  • Banner
  • Banner