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05 de outubro de 2017

Mais de 50% dos casos de coqueluche em bebês podem implicar em hospitalização

Dos hospitalizados, mais de 20% podem desenvolver pneumonia e 1% apresentar convulsões

Mais de 50% dos casos de coqueluche em bebês podem implicar em hospitalização

Engana-se quem pensa que para os adultos a doença não pode ser grave.

Apesar de a coqueluche ser uma doença já conhecida e com proteção por vacinação disponível há muitos anos, os últimos surtos têm deixado mães, pacientes e especialistas em alerta. Estima-se que nos Estados Unidos mais de 2/3 dos bebês de até 12 meses com coqueluche necessitam hospitalização1. Dos lactentes menores de seis meses, hospitalizados, 61% podem sofrem apneia, 23% desenvolvem pneumonia e 1% convulsões. Entre os casos de coqueluche em menores de dois meses de idade, aproximadamente 1% dos bebês acometidos falecem1. No Brasil, o Ministério da Saúde reportou em 2015 taxas de letalidade elevadas, de 2,8%, em bebês menores de 2 meses de idade2.

Além das consequências em bebês, o Chefe do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Escola de Medicina Santa Casa de São Paulo, Marco Aurélio Sáfadi, alerta “Engana-se quem pensa que para os adultos a doença não pode ser grave. Adolescentes e adultos, apesar de apresentarem quadros menos severos de uma maneira geral, também podem ter complicações. Adolescentes com a doença costumam, em cerca de 50% dos casos, tossir por pelo menos 10 semanas após o início do quadro. Em um estudo envolvendo adultos com coqueluche os autores encontraram as seguintes taxas de complicações: 33% dos indivíduos apresentaram perda de peso, 6% síncopes e 4% fraturas de costela1”. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2016 foram registrados 1.314 casos da doença no Brasil2.

“A coqueluche é uma doença infecciosa aguda e transmissível que compromete o aparelho respiratório e por isso é identificada pela tosse seca, em crises, características da doença.”, explica Marco Aurélio Sáfadi. O principal sintoma da coqueluche é a tosse paroxística, em salvas, ou seja, repentina e com tossidas rápidas e curtas em uma única expiração, além da inspiração profunda do ar com som agudo semelhante a um guincho3. Vômitos pós-tosse, apneia e engasgo também são presentes em alguns pacientes com a doença3.

Para evitar o contágio e a transmissão, é preciso entender o ciclo da doença e a forma de prevenção. A bactéria permanece incubada de 5 a 10 dias e depois se iniciam os sintomas4. A partir de então, por até três semanas, é que há a possibilidade de transmissão4. A doença é prevenível por vacinação. No Brasil, para a vacinação, indicam-se vacinas que contenham o componente pertussis. Nas clínicas privadas, utilizam-se as vacinas hexavalentes – que protegem contra coqueluche, difteria, tétano, doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b, poliomielite e hepatite B5 – que devem ser administradas aos 2, 4 e 6 meses, com o primeiro reforço entre 15 e 18 meses, utilizando a vacina pentavalente – que possui todas as proteções da hexavalente, com exceção da hepatite B6.

Fonte: Marco Aurélio Sáfadi

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